Um estudo realizado pela Universidade de Liverpool, na Inglaterra, publicado no American Journal of Clinical Nutrition na edição de janeiro, mostrou que publicidades de alimentos com baixo teor nutricional, como refrigerantes, salgadinhos e bolachas recheadas, provocam um impacto maior nas crianças do que nos adultos.
O estudo analisou 22 pesquisas que já haviam investigado o efeito da publicidade de junk food nesses dois públicos, tanto na televisão quanto na internet. O resultado mostrou que os adultos são pouco influenciáveis na quantidade de comida que eles ingerem depois de assistirem a publicidade de alimentos desse tipo. Já as crianças consomem mais do que o habitual.
A pesquisa sugere que esses dados sejam usados para fundamentar ações que visam a redução da exposição das crianças à publicidade de alimentos não saudáveis. Essa pesquisa contribui, ao lado de outros estudos, para mostrar como a publicidade de junk food é um dos fatores responsáveis pela obesidade infantil, um problema que aflige o mundo todo.
A Organização Mundial da Saúde divulgou recentemente um documento com recomendações para erradicar a obesidade infantil, entre as medidas estava o  fim da publicidade de alimentos não saudáveis para crianças. No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor e a Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) consideram que direcionar publicidade para o público infantil de qualquer produto ou serviço é abusivo e ilegal.
Além disso, tais práticas desrespeitarem a proteção integral e a hipervulnerabilidade da criança, violando o Artigo 227, da Constituição Federal e diversos dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente. O Projeto Criança e Consumo trabalha para efetivar a legislação vigente e contribuir para a garantia de uma infância plena e livre de consumismo por entender que é um problema urgente e de todos.