sexta-feira, 3 de julho de 2015

Fibromialgia e Dietoterapia


A fibromialgia é definida como uma síndrome reumática comum, não articular, caracterizada por dor e pontos múltiplos de dor muscular focal à palpação (pontos desencadeantes). A dor muscular é tipicamente agravada por inatividade ou exposição ao frio. Esse estado é frequentemente associado com sintomas gerais como distúrbios do sono, fadiga, rigidez, cefaleias e, ocasionalmente, depressão. A fibromialgia tem uma importante relação com o estresse, apesar de suas causas ainda não terem sido totalmente esclarecidas. 
A fibromialgia pode ter causas subjacentes como problemas do sono, alergias, desequilíbrios cerebrais (serotonina), infecção (vírus, fungos), desequilíbrios hormonais, estresse oxidativo, intoxicação metálica, deficiências nutricionais estresse emocional e/ou esforço excessivo. Portanto, muitos destes fatores podem ser controlados pela Nutrição. Por exemplo: 

Impacto da Dieta na Fibromialgia 
A influência da dieta sobre as manifestações da fibromialgia deve ser focalizada quanto ao seu conteúdo, no sentido de promover a saúde do paciente. Além disso, as manifestações clínicas experimentadas pelos pacientes, como a dor, a depressão e a fadiga podem prejudicar o preparo dos alimentos e o apetite. 

A dieta ideal 
Uma dieta balanceada surte efeitos favoráveis sobre o, assim chamado, equilíbrio do organismo em suas funções, assim como na prevenção de doenças. No sentido de evitar distúrbios cardiovasculares que podem limitar a atividade física, ou doenças metabólicas como o aumento de colesterol ou o diabetes melittus, alguns cuidados devem ser observados quanto à dieta: 
– Reduzir o conteúdo de açúcar dos alimentos 

No sentido de evitar o sobrepeso, o açúcar deve ser substituído por dextrose, sucralose, mel. Os adoçantes devem ser usados com moderação. 
– Reduzir o conteúdo de sal dos alimentos 

O sal favorece o acúmulo de líquidos no organismo, acarretando aumento da pressão arterial e sobrecarga para o sistema cardiovascular. Deve-se optar pelo sal com baixo teor de sódio, e mesmo este deve ser usado com moderação, pois contém potássio, o qual pode ser prejudicial para pacientes nefropatas. A complementação do tempero dos alimentos deve ser feita com condimentos naturais como ervas, cebola e alho, que são mais saudáveis. 
– Reduzir o conteúdo de gordura dos alimentos 

As gorduras dos alimentos favorecem o aumento do colesterol e o excesso de peso. Deve-se dar preferência para carnes brancas, reduzindo-se ao máximo o consumo de carnes vermelhas, especialmente a de porco. Deve-se evitar a adição de gordura e, ainda deve-se evitar o consumo de mais de duas gemas de ovo por semana. 
– Limitar o consumo de álcool 

* Álcool fornece o que se chama de caloria vazia, ou seja, aquela que sacia a fome, mas não oferece nutrientes. Além disso, quando ingerido à noite acarreta um sono superficial, de má qualidade, apesar de acelerar o processo de adormecer. 
* Quando usado em excesso, o álcool tem uma série de efeitos nocivos sobre o sistema neurológico e musculoesquelético, acarretando processos dolorosos e fraqueza muscular. 
* Além disso, o álcool interfere com a ação de diversos medicamentos utilizados no tratamento da fibromialgia, potencializando seu efeito e aumentando a toxicidade. 
– Aumentar a quantidade de fibras, frutas, vegetais 

* Alimentos com carboidratos complexos fornecem a sensação de plenitude e ajudam no funcionamento intestinal. É sabido que o consumo de grãos e farinhas na forma integral auxilia na prevenção da arteriosclerose e evitam alguns tipos de tumores do trato digestivo. 
* Deve-se levar em conta o alto valor nutritivo de grãos como o feijão, o milho e outros cereais. 
* Os tubérculos, como a batata e a mandioca, devem ser consumidos cozidos, ao invés de fritos. 
– Aumentar a ingestão de líquidos. 
– A adequada oferta de fontes alimentares de triptofano que será convertido em serotonina, através de outros nutrientes como vitamina C, B1, B2, B3, B6, ácido fólico e magnésio; 

– O adequado aporte de cálcio, que também parece auxiliar com os problemas de sono, conforme demonstram alguns estudos atuais; 
– A saúde intestinal que tolera alimentos alergênicos previne infecções e intoxicações, além de permitir uma boa absorção de nutrientes que vão inclusive combater o estresse que o organismo sofre; 
– O consumo de alimentos integrais, que também é muito importante para controlar fatores hormonais que vão influenciar nos desequilíbrios cerebrais, entre tantas outras estratégias nutricionais funcionais. 
As modificações na dieta devem ser feitas de forma gradual, visando o bem-estar do paciente. As alterações atuam no sentido de se reduzir a fadiga, melhorar a qualidade da evacuação, aumentar a hidratação do organismo, evitar distúrbios da digestão e o aumento do peso, por vezes favorecido pelo uso concomitante de medicamentos. 
Uma dieta adequada é capaz de fornecer mais de 40 tipos de nutrientes para o organismo, tornando-se desnecessário, portanto, o uso de vitaminas ou suplementos alimentares deve ser evitado, pois podem interagir com outros medicamentos em uso.

Nutricionista Patrícia Streb da Silva

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