segunda-feira, 6 de outubro de 2014


Azia ou simples dor de barriga são sintomas comuns depois dos exageros gastronômicos usuais de fim de ano. É preciso ficar atento caso o desconforto progrida para dor abdominal intensa, às vezes acompanhada de indisposição, vômito e, com frequência, de diarreia volumosa. Tais sintomas revelam uma instabilidade gastrintestinal que pode ser indício de intoxicação alimentar. A ingestão de comida mal cozida e o manuseio e conservação impróprios dos alimentos provocam cerca de 670 surtos no País, totalizando 13 mil doentes todos os anos.

A intoxicação alimentar ocorre quando há ingestão de água e/ou alimentos contaminados por bactérias, vírus e microrganismos capazes de viver e  multiplicar-se no interior do intestino. Independentemente do microrganismo determinante, os efeitos da intoxicação alimentar são todos  parecidos.

Muitas pessoas tentam descobrir o que as fez passar mal revendo o que ingeriram  naquele dia ou no dia anterior. No entanto, ao consultar um médico por suspeita de intoxicação alimentar, é importante lembrar mais do que o cardápio de apenas um dia antes: os primeiros sintomas provocados por algumas bactérias podem aparecer só três dias depois da ingestão do alimento contaminado.
Os exames mais comuns para confirmar a suspeita de intoxicação alimentar são o hemograma e os exames microscópicos de fezes, que permitem visualizar anormalidades. Há também o exame de cultura de fezes, realizado para verificar se existem bactérias enteropatogênicas nos resíduos fecais, e o exame protoparasitológico de fezes, que visa identificar a presença de protozoários.

BACTÉRIAS MAIS COMUNS

Salmonella: este tipo de microrganismo é encontrado principalmente em alimentos de origem animal, como ovos, leite e carnes.
Entretanto, alimentos de origem vegetal, como frutas, legumes e verduras, podem carregar a Salmonella após uma contaminação cruzada, que ocorre quando as bactérias são transferidas de um alimento para outro por meio de utensílios ou da própria pessoa que os está manuseando.
As reações podem aparecer em um intervalo de seis a 72 horas após o consumo do alimento contaminado.

Escherichia Coli:  assim como a Salmonella, a Escherichia coli, ou apenas E-Coli, integra a lista das principais espécies bacterianas responsáveis por contaminar seres humanos. Presente no intestino de alguns animais, a infecção por E-Coli se dá pela ingestão de alimentos contaminados com resíduos fecais que contêm a bactéria.
As principais fontes de transmissão são as carnes de boi e de porco, água não filtrada, contato com fezes contaminadas, leite não pasteurizado ou por contaminação cruzada (geralmente por moscas que levam as bactérias de um alimento para outro). Os sintomas aparecem entre seis e 36 horas após a ingestão do alimento contaminado.

Clostridium botulinum: esta bactéria é responsável pelo botulismo, um tipo grave de intoxicação alimentar que pode causar perturbações neuroparalíticas e até levar à morte. Os alimentos mais sujeitos à contaminação são os que sofrem tratamentos térmicos para conservação, como os enlatados, defumados e em conserva. Geralmente, os sintomas iniciam-se entre oito a 20 horas após a ingestão do alimento contaminado.

Tratamento
O maior risco para o paciente com intoxicação alimentar é a desidratação decorrente de forte diarreia. Por isso, é importante ingerir líquidos, especialmente água e sucos. Em algumas situações, faz-se necessária a reposição hídrica por meio de soro. No caso de diarreia inflamatória, com presença de febre ou sangue nas fezes, recorre-se ao uso de antibióticos por três a cinco dias.

Dicas
– Mesmo que estejam dentro do prazo de validade, não consuma alimentos que pareçam deteriorados, com aroma, cor ou sabor alterados;
– Não consuma carne crua, leite que não sofreu algum tipo de tratamento térmico (pasteurização ou esterilização) e alimentos que foram fritos em óleo usado durante muito tempo;
– Não consuma alimentos que estejam com a embalagem violada;
– Não consuma alimentos que estejam fora do prazo de validade estabelecido pelo fabricante, mesmo que sua aparência seja normal;
– Não  misture alimentos de origens diferentes, como carnes e verduras, em cima da pia;
– Tome todos os cuidados de higiene ao manusear alimentos. Use roupas limpas, cabelo preso e lave bem as mãos com água e sabão;
– Lave bem frutas, verduras e legumes com água potável . Enxágue e depois faça higienização com uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água utilizada. Enxágue e deixe secar;
– Guarde os alimentos já preparados dentro da geladeira;
– Não consuma alimentos de procedência desconhecida;

– Lave latinhas de refrigerantes e outras bebidas com água e sabão antes de guardá-las na geladeira

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