segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Diretora da OPAS defende a regulação da indústria de alimentos para reduzir a obesidade


Mais uma vez o Equador é referência na rotulagem de alimentos. No final de agosto, o país recebeu a Conferência Internacional sobre Rotulagem de Alimentos e Política Fiscal sobre Alimentação Saudável e Prevenção da Obesidade. O evento contou com a participação de Carissa F. Etienne, diretora da OPAS, que defendeu as regulações que visam informar e proteger os consumidores ao criar incentivos para uma alimentação mais saudável. Para Carissa Etienne, elas são avanços importantes e devem ser estimulados em toda a região. 

A regulação da rotulagem e publicidade de alimentos processados é necessária para reverter aumento exponencial de padrões de consumo não saudável. Países das Américas que têm os mais altos índices de obesidade no mundo estão lutando contra a epidemia de obesidade com novas regras, mais rigorosas para rotulagem e publicidade dos alimentos.

As causas da epidemia da obesidade incluem "mudanças profundas nos padrões alimentares nas últimas décadas, com um aumento sem precedentes no consumo de alimentos processados e uma diminuição paralela no consumo de produtos naturais", disse Etienne. 

A diretora se refere à nova Lei do Equador sobre Segurança e Soberania Alimentar, que foi atualizada em 2012, como um exemplo do tipo de esforço necessário para inverter esta tendência. As disposições da lei para proteger os direitos dos pequenos agricultores na produção de alimentos saudáveis, garantindo aos consumidores direitos de decidir o que querem consumir, o que estimula o desenvolvimento do comércio internacional justo. Segundo Etienne, esforços como esses, que visam aumentar o acesso a alimentos saudáveis a preços acessíveis, estão inseridos no quadro de estratégias que tanto a OPAS e a OMS (Organização Mundial da Saúde) promovem para combater esta pandemia. 

Também durante a Conferência, a ministra da Saúde do Equador, Carina Vance, disse que a resposta do Equador ao sobrepeso e à obesidade inclui um novo sistema de rotulagem de alimentos com base em recomendações da OMS, que conta aos consumidores a quantidade de açúcar, sal e gordura presentes em alimentos processados. 

Outras medidas tomadas pelo Equador incluem regulamentação sobre a merenda escolar, uma hora obrigatória de atividade física durante o dia na escola, promoção do aleitamento materno, promoção de espaços saudáveis para a atividade física nas cidades e regulamentação mais estrita sobre o tabaco e o álcool. 

"As medidas dirigidas para a educação e ação que visam apenas promover comportamentos individuais saudáveis são necessárias, mas não são suficientes. O grande desafio é promover políticas públicas para transformar o ambiente, incentivar comportamentos saudáveis e inibir os não saudáveis, que crescem exponencialmente e promovem padrões nocivos e insalubres de consumo", disse Etienne. 

Confira aqui os vídeos e as apresentações dessa conferência (em espanhol).
Tradução e adaptação: Idec Disponível em: http://www.idec.org.br/em-acao/em-foco/diretora-da-opas-defende-a-regulaco-da-industria-de-alimentos-para-reduzir-a-obesidade

Nenhum comentário:

Postar um comentário