segunda-feira, 14 de julho de 2014

Antioxidantes e Exercício. Será Realmente uma Boa Parceria?

 

Atualmente surgiu uma vasta produção científica sobre os efeitos benéficos do exercício físico na prevenção e tratamento de afecções crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade. Também existem vários trabalhos demonstrando que os antioxidantes podem promover saúde e prevenir diversas doenças. Então se tornou comum a associação entre o exercício físico e a suplementação de antioxidantes. Entretanto, ao contrário do consenso empírico fomentado dezenas de estudos sobre exercício físico têm demonstrado que a suplementação de antioxidantes pode ser inútil. Antes que critiquem o uso do termo “inútil”, existe um artigo que deu base para esta pauta denominado “Antioxidant supplement in exercise: Worse than useless” escrito por Gomez-Cabrera (2011) que utiliza o termo inútil (useless) pela primeira vez ao comentar o assunto discutido neste texto. Há tempos tem se sugerido que a suplementação de antioxidantes pode ter efeito prejudicial sobre o desempenho ou para a saúde, alguns exemplos: • Sharman e colaboradores em 1971 demonstraram que a suplementação de vitamina E (400 UI / dia durante 6 semanas) causou efeitos desfavoráveis sobre o desempenho de endurance em nadadores jovens. • Mais de 20 anos depois, Malm e colaboradores mostraram, em dois estudos consecutivos (1996 e 1997), os efeitos deletérios da suplementação de ubiquinona-10 (Q10) sobre o desempenho de seres humanos, após um programa de treinamento de alta intensidade. • Em 2002 Marshall e colaboradores, mostraram que a suplementação de vitamina C (1000mg/dia por 4 semanas) em cães de corrida piorou significativamente a sua velocidade. Isso ocorre devido ao papel multifuncional dos radicais livres ou espécies reativas de oxigênio em organismos vivos, nem sempre tão ruins, assim como os efeitos dos antioxidantes nem sempre são tão benéficos. Mas é importante lembrar que todos os estudos citados, pesquisaram o efeito de doses altas de antioxidantes. A recomendação diária de vitamina C, por exemplo, é de 60mg/dia e boa parte das pesquisas utilizam a dose de 1000mg de vitamina C ao dia. Essas superdoses são comuns na suplementação dos indivíduos, especialmente quando engajados em um programa de exercício e talvez esses efeitos deletérios ocorram por conta de níveis supra fisiológicos desses suplementos. Além disso, muitos indivíduos fazem o uso de suplementos antioxidantes sem consultar um bom Nutricionista e um bom Médico especializados na área desportiva, afim de saber suas reais necessidades frente a um programa de treinamento. Outro fato importante é que os alimentos ricos em antioxidantes possuem outras substâncias em sua composição que podem agir de forma sinérgica, permitindo melhor efeito para saúde do que os suplementos. Mas sem dúvida, uma dieta equilibrada, incluindo uma variedade de frutas e vegetais continua a ser a melhor abordagem nutricional para manter o status antioxidante ideal, inclusive ao longo de um período de treinamento. Portanto, cuidado com as propagandas que prometem resultados ótimos com a suplementação de antioxidantes o resultado pode ser pior do que inútil! 

Fonte: Disponível em: http://www.nutricaoempauta.com.br/lista_artigo.php?cod=2472 Tiago dos Santos Rosa - Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Educação Física pela Universidade de Mogi das Cruzes. Mestre em Biotecnologia pela UMC. Doutorando do departamento de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. PÓS-GRADUAÇÃO FEFISA
 

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