sábado, 26 de abril de 2014

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial


Uma das principais metas da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) é informar, acima de tudo, a população quanto aos riscos da hipertensão, e incentivar a modificação de estilo de vida inadequado que contribui para o desenvolvimento e/ou agravo da doença.

Especificamente sobre o consumo de sódio, a SBH tem-se mostrado fortemente engajada na divulgação dos alimentos que são absolutamente perigosos à população. Somos signatários desde 2011 de um documento conjunto com outras Sociedade médicas co-irmãs que propõe uma redução mais expressiva do sódio, com alertas nas embalagens dos alimentos inadequados para portadores de hipertensão arterial.
Recentemente a SBH validou uma iniciativa quanto ao consumo de água pela população. A ingestão de água tem papel crucial em doenças como calculose renal, infecção urinária, câncer de bexiga, e doença renal crônica (DRC). Recomenda-se que consumo diário de água seja, pelo menos, entre 2,0 a 2,5 L (considerando-se que 20% seja proveniente dos alimentos). Isto seria equivalente a eliminação diária de urina entre 1,6 a 2,0 L. 
No Brasil 12% da população ou 24 milhões de brasileiros têm pedras nos rins. O aumento da ingestão de água é o principal suporte para evitar a formação do cálculo renal impedindo a supersaturação do oxalato de cálcio pela diluição da urina, composto mais comum da pedra renal. 
A infecção urinária acomete principalmente as mulheres e entre 50 a 60% das pessoas irão ter, pelo menos, um episódio de infecção durante a vida. A incidência mundial é de 250 milhões de casos por ano. O consumo de água faz com que haja diminuicão do risco de infecção, O aumento da diurese tem efeito de diluição sobre a contaminação das bactérias e o aumento do número de micções, o de lavagem das vias urinárias, Alem disso, a diminuição da acidez da urina, com o aumento do consumo de água impede que a bacteria se aloje na parede das vias urinárias. 
O câncer de bexiga é o 4º tipo de câncer mais frequente no homem e o 5° tipo mais comum na população. Um dos efeitos do aumento da ingestão de água seria a diluição rápida da urina que associado ao maior número de micções irá auxiliar a eliminação de agentes cancerígenos que poderiam afetar a bexiga.    
Quanto a doença renal crônica (DRC) estimativas modestas apontam que cerca de 3 milhões de brasileiros tenham mais de um terço ou mais de seus rins já doentes. Mais de 100 mil pacientes no Brasil necessitam de diálise ou transplante renal para sobreviverem, número subestimado, pois a maioria morre antes de receber esses tratamentos. Um estudo entre 2005-2006 feito na população americana mostrou que indivíduos que ingerem menos de 2L/dia de água tem 2,5 vezes mais DRC comparado aqueles com maior consumo. Houve associação da DRC (2,3 vezes mais) em indivíduos com a baixa ingestão de água, mas essa associação desaparece se forem considerados outros líquidos. Após os 45 anos estima-se que um indivíduo normal perca cerca de 1% ao ano da função dos seus rins.Um estudo canadense que seguiu indivíduos com função renal normal durante 6 anos verificou que aqueles que ingeriam menos de 1L/dia de água tiveram ao final 8% de perda da capacidade funcional dos seus rins contra apenas 3% naqueles que ingeriam mais de 3L/d.   
Doenças do aparelho urinário são um dos maiores problemas de saúde mundial e sua ocorrência e os custos do tratamento continuam a aumentar. Divulgar os benefícios do consumo de água recomendado incentiva uma prática barata e principalmente apregoa a melhor forma de se tratar essa doença atuando sobre sua prevenção.
1. Lotan Y,Daudon M, Bruye F et al. Impact of fluid intake in the prevention of urinary system diseases: a brief review. Curr Opin Nephrol Hypertens 2013, 22 (Suppl 1):S1–S10.
2. Clark WF,Sontrop JM, Macnab JJ et al. Urine Volume and Change in Estimated GFR in a Community-Based Cohort Study. Clin J Am Soc Nephrol 2011, 6: 2634–2641. 
3. Sontrop JM, Dixon SN, Garg AM et al. Association between Water Intake, Chronic Kidney Disease, and Cardiovascular Disease: A Cross-Sectional Analysis of NHANES Data. Am J Nephrol 2013;37:434–442

Fonte: SBH - Sociedade Brasileira de Hipertensão

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