domingo, 3 de novembro de 2013

Ter produto 'saudável' exige mais esforço



Os fornecedores de produtos que levam sal, açúcar e gordura estão tentando limpar suas imagens.
 
 
Batatas fritas com baixos teores de gordura. Bebidas diet com adoçantes naturais sem açúcar. Frutas e legumes servidos nas refeições das crianças. Os fornecedores de produtos que levam sal, açúcar e gordura estão tentando limpar suas imagens.
 
Com os consumidores mais atentos aos produtos que compram, as companhias de alimentos e bebidas aceleram esforços para acabar com a reputação de vender produtos pouco saudáveis, e capturar e manter clientes em busca de alternativas à alimentação tradicional. "Estamos vendo uma mudança fundamental nos hábitos e comportamentos do consumidor", disse Indra Nooyi, CEO da PepsiCo, a investidores dias atrás.
 
Ela estava falando sobre "um declínio acelerado das bebidas diet", à medida que os consumidores ficam mais cautelosos com o aspartame e outros substitutos artificiais do açúcar e exigem produtos adoçados naturalmente.
 
Esse esforço também está por trás da iniciativa da Coca-Cola de substituir a Sprite, no Reino Unido e na França, por uma versão de baixas calorias e adoçada com açúcar e estévia - adoçante derivado de uma planta -, e do lançamento da "Coca-Cola Life", formulada de maneira parecida, na Argentina.
 
Recentemente, a Coca-Cola também patenteou um produto com estévia que, segundo analistas, poderá ser usado em bebidas de zero caloria, enquanto a Pepsi está trabalhando em seu próprio adoçante natural.
 
Indra Nooyi disse que as vendas de bebidas açucaradas vêm caindo há anos, com os refrigerantes respondendo hoje por 40% do mercado dos Estados Unidos, em comparação a mais de 50% uma década atrás. E agora, até as versões diet estão tendo problemas.
 
As vendas da Diet Coke caíram 3% no ano passado, em comparação à queda de 1% da Coca-Cola normal, enquanto que a queda nas vendas da Diet Pepsi, de 6,2%, foi quase duas vezes maior que a da Pepsi normal, de 3,4%, segundo dados da "Beverage Digest".
 
A Diet Coke e outras bebidas e alimentos similares estão "sob uma certa pressão, na medida em que as pessoas questionam seus ingredientes e sua segurança", diz Steve Cahillane, que comanda as operações da Coca-Cola na América do Norte e América Latina.
 
A atenção a opções mais saudáveis está se espalhando pelo setor de alimentos. Multinacionais como General Mills e Danone estão tentando acompanhar o passo da iniciante Chobani, que deu início à febre do iogurte grego.
 
Dan Wald, da Boston Consulting Group (BCG), diz que o setor de alimentos industrializados tem, sozinho, uma oportunidade de vendas anuais de alimentos mais saudáveis nos EUA de US$ 150 bilhões, que deverá aumentar 4% ao ano.
 
As redes de fast-food não estão imunes. Em meio às críticas por sua participação na epidemia de obesidade que assola os EUA, o McDonald's informou no mês passado que só vai fazer propaganda de leite, sucos e água na promoção McLanche Feliz, e oferecer frutas, saladas e legumes como alternativas às batatas fritas. A rede acompanha o lançamento pelo Burger King de batatas fritas com baixos teores de gordura e calorias.
 
As lanchonetes estão em parte respondendo à perda de clientes de maior poder aquisitivo para redes como a Chipotle, especializada em burritos e que vem crescendo em ritmo acelerado, tendo hoje mais de 900 lojas que servem alimentos percebidos como mais saudáveis. A ação da Chipotle acumula uma valorização de 75% no ano, em comparação a 6,8% da ação do McDonald's.
 
"O que eles querem é aumentar a percepção entre os consumidores, de seu envolvimento com ingredientes saudáveis e de qualidade uma vez que isso que atrai as pessoas para os restaurantes", diz Dylan Bolden do Boston Consulting Group.
 
Esta não é a primeira vez que a indústria de alimentos faz um esforço de promoção da saúde. Os biscoitos com baixo teor de gordura da SnackWells, hoje controlada pela Mondelez, foram lançados há 21 anos. Alimentos congelados de baixas calorias como os da LeanCuisine existem há mais tempo ainda.
 
No entanto, alguns dos produtos que faziam parte desse esforço inicial do setor não eram realmente saudáveis, segundo Bob Goldin, da consultoria Technomic, especializada na indústria alimentícia. Eles tinham baixos teores de gordura, mas altos teores de açúcar ou sódio, que lhes realçava o sabor.
 
Hoje, porém, não basta criar versões com "menos gordura" ou "pouco sal" dos produtos. "Ultimamente, as inovações estão crescendo muito, com benefícios nutricionais positivos, em vez de os fabricantes tornarem produtos já existentes menos ruins", diz Wald, citando a Chobani e os pistaches Wonderful da Roll Global. Eles estão sendo bem sucedidos porque estão empenhados no compromisso envolvendo o sabor, a conveniência e a saúde, acrescenta ele.
 
Para Indra Nooyi da PepsiCo, não há dúvida de que o setor está passando por uma grande mudança. Ela adotou um tom urgente em uma conferência proferida em Nova York este ano, em que enfatizou a necessidade de uma solução que traga os clientes de volta. "Acreditamos de fato que se deixarmos isso ir longe demais, em três ou cinco anos o consumidor deixará de beber refrigerantes [gaseificados]", disse ela. (Neil Munshi e Shannon Bond | Financial Times, de Chicago e Nova York)

Fonte: Valor Econômico 

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