domingo, 27 de outubro de 2013

842 milhões de pessoas subnutridas em 2011-13. Países em desenvolvimento fazem progressos porém mais esforços são necessários para atingir os Objetivos do Milênio



O número é menor do que os 868 milhões reportados para o período 2010-12, de acordo com o estudo Situação de Insegurança Alimentar no Mundo, publicado todos os anos pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricutura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (IFAD) e o Programa Mundial de Alimentação (PMA). A vasta maioria das pessoas famintas vivem em regiões em desenvolvimento, enquanto 15,7 milhões vivem nos países desenvolvidos.
Cerca de 842 milhões de pessoas, aproximadamente um em cada oito, sofreram de fome crônica no período 2011-13, não obtendo alimento suficiente para levar vidas ativas e saudáveis de acordo com um relatório lançado pelas agências das Nações Unidas ligadas à alimentação.
O crescimento econômico continuado nos países em desenvolvimento melhorou a renda e o acesso à comida. Recentes dados de crescimento na produtividade agrícola, favorecidos pelo aumento do investimento público e renovado interesse de investidores privados na agricultura, aumentaram a disponibilidade de alimentos.
Além disso, em alguns países a remessa de dinheiro por migrantes tem tido um papel fundamental na redução da pobreza, levando a melhores dietas e progresso na segurança alimentar. Eles também podem contribuir para impulsionar investimentos produtivos por pequenos produtores.

Grandes diferenças
Apesar do progresso feito em todo o mundo, diferenças marcantes na redução da fome ainda persistem. A África Subsaariana teve apenas um progresso modesto nos anos recentes e continua sendo a região com a mais alta prevalência de subnutrição com a estimativa de que um em 4 africanos (24,8%) passam fome.
Nenhum progresso recente foi observado na Ásia Ocidental, enquanto nas regiões do Sul da Ásia e Norte da África testemunharam um lento progresso. Reduções mais substanciais tanto no número de famintos como na prevalência de subnutrição ocorreram na maioria dos países da Ásia Oriental e Sudeste da Ásia, assim como na América Latina.
Desde 1990-92, o número total de subnutridos nos países em desenvolvimento caiu em 17% de 995,5 milhões , de 996 milhões para 826,6 milhões.

Metas de redução da fome
Apesar de desigual, o relatório reforça que as regiões em desenvolvimento como um todo fizeram significantes progressos no sentido de alcançar as metas de reduzir pela metade a proporção de pessoas com fome até 2015. Esta meta foi acordada internacionalmente como parte dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Se a média de declínio anual desde 1990 continuar até 2015, a prevalência de subnutrição irão atingir um nível próximo ao proposto na meta de combate à fome dos ODM.
Um meta mais ambiciosa estabelecida em 1996 na Cúpula Mundial de Alimentação (CMA), de reduzir o número de pessoas famintas pela metade até 2015, ainda está fora de alcance em nível global, apesar de 22 países já terem atingido no final de 2012.
A FAO, o IFAD e PMA urgiram aos países “que façam esforços adicionais consideráveis e imediatos” para atingir o Objetivo do Milênio (ODM) e a meta da Cúpula Mundial.
“Com um impulso final nos próximos anos, nós ainda podemos atingir as metas dos ODM”, escreveram os diretores da FAO, IFAD e PMA, José Graziano da Silva, Kanayo F. Nwanze e Ertharin Cousin no prefácio de relatório. Eles clamaram por intervenções sensíveis à nutrição na agricultura e sistemas alimentares como um todo, assim como na saúde pública e educação, especialmente de mulheres.
“Políticas voltadas para a melhoria da produtividade agrícola e aumento da disponibilidade de alimentos, especialmente quando os pequenos produtores são o foco das ações, podem promover a redução da fome até mesmo onde a pobreza está espalhada. Quando são combinadas com proteção social e outras medidas que aumentam a renda de famílias pobres, podem ter um efeito ainda mais positivo e induzir o desenvolvimento rural, por meio da criação de mercados vibrantes e oportunidades de emprego, resultando em crescimento econômico equitativo”, disseram os chefes das agências.

Políticas em prol dos mais pobres são necessárias
O relatório destaca que o crescimento econômico é essencial para o progresso na redução da fome. Mas o crescimento pode não levar a mais e melhores empregos e renda para todos, a menos que as políticas enfoquem especialmente os pobres, particularmente nas áreas rurais. “Nos países pobres, a redução da fome e da pobreza somente será obtida com o crescimento que seja não apenas sustentável, mas também amplamente compartilhado”, destaca o relatório.

Lidando com a subnutrição, desnutrição infantil
O relatório das Nações Unidas sobre a fome não somente mede a fome crônica, mas apresenta um novo conjunto de indicadores para todos os países com o objetivo de capturar as múltiplas dimensões da insegurança alimentar. Esses indicadores dão um quadro mais detalhado da insegurança alimentar em um país. Em alguns países, por exemplo, a prevalência da fome pode ser baixa, enquanto ao mesmo tempo as taxas de subnutrição podem ser bem altas, como exemplificado pela proporção de crianças desnutridas (baixo peso para a idade) ou com peso abaixo da média, cuja saúde futura e desenvolvimento estão em risco. Tais distinções são importantes para melhorar a efetividade de medidas para a redução da fome e da insegurança alimentar em todas as suas dimensões.
DADOS
  • A maior parte das pessoas subnutridas ainda são encontradas no Sul da Ásia (295 milhões), seguidas pela África Subsaariana (223 milhões) e Ásia Oriental (167 milhões).
  • Para atingir o ODM 1, a prevalência da fome precisa ser reduzida para menos 12% até 2015. Atualmente está em 14,3%.
  • Até outubro de 2013, 62 países já atingiram a meta de reduzir pela metade a proporção de pessoas sofrendo com a fome. Outros 6 países estão a caminho de alcançar o ODM 1 até 2015.
  • Além desses 62 países, 22 também alcançara as metas da Cúpula Mundial da Fome (CMA) de redução do número de pessoas famintas até 2015.
  • Para alcançar a meta da Cúpula, o número de pessoas com fome nos países em desenvolvimento terá que cair para 498 milhões até 2015, o que está fora dos alcance pelas taxas atuais de redução.

PROTEÇÃO PARA A PRODUÇÃO
A iniciativa de FAO “Da Proteção para a Produção” oferece evidências promissoras de como as transferências de renda na África Subsaariana pode fomentar tanto benefícios imediatos como de longo prazo. Os resultados iniciais sugerem que as transferências levam ao aumento dos investimentos no patrimônio agrícola, incluindo implementos agrícola e pecuária, e maior participação do consumo doméstico sendo abastecido pela produção da agricultura familiar. Há também evidências de que esses programas criam significativos efeitos multiplicadores de renda por meio da conexão entre comércio e produção. Leia mais em:http://www.fao.org/economic/ptop/en/.

Fonte: FAO

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