segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Salmonella




 
A Salmonella é conhecida como um grupo bacteriano que pode causar gastrenterites, encontrada, em geral, em alimentos de origem animal, como carnes, aves, ovos, leite e outros, podendo ser transmitida no caso de contaminação dos mesmos e quando o preparo não foi realizado de forma adequada. Estudo recente foi desenvolvido com o objetivo de determinar os efeitos de diferentes cenários de armazenamento sobre o potencial de crescimento de cepas de Salmonella e Listeria monocytogenes em vegetais prontos para o consumo. De acordo com os resultados, mesmo que haja contaminação com baixa quantidade, pode haver desenvolvimento, conduzindo a densidades mais elevadas, caso seja armazenado em temperaturas não adequadas. Outro estudo foi desenvolvido para verificar a contaminação por Salmonella em amendoim cru e sem casca nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, os resultados foram positivos para diversas cidades produtoras do amendoim, sendo um passo importante na concepção e validação de processos para a redução ou eliminação de Salmonella em amendoim e ou produtos contendo amendoim. Os dados dos estudos evidenciam a importância em se avaliar os alimentos que possam transmitir a Salmonella, como meio de controle de sua proliferação, sendo os dados úteis para que medidas sejam tomadas para evitar a transmissão por alimentos. O controle deve ser feito de forma adequada e periódica, além dos demais processos envolvidos até o consumidor final, para garantir produtos finais de boa qualidade.


Fontes: Sant'Ana AS; Landgraf M; Destro MT; et al. Growth potential of Salmonella and Listeria monocytogenes in ready-to-eat lettuce and collard greens packaged under modified atmosphere and in perforated film. J Food Prot; 76(5): 888-91, 2013 May. Calhoun S; Post L; Warren B; et al. Prevalence and concentration of Salmonella on raw shelled peanuts in the United States. J Food Prot; 76(4): 575-9, 2013 Apr. FoodService - 27/set/2013
 

sábado, 28 de setembro de 2013

Treinamento para Manipuladores de Alimentos



Neste sábado (28/09) ocorreu a 1ª edição do Treinamento para Colaboradores que atuam em cozinhas na Manipulação de Alimentos.
Em novembro teremos a 2ª edição!!!
Em breve maiores informações.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Anvisa proíbe 25 alimentos infantis da marca Nutrifam





A Anvisa determinou, nesta quinta-feira (26), a proibição da fabricação, distribuição e comercialização, em todo o país, de todos os lotes de 25 alimentos infantis sem registro.


Os produtos são todos da empresa Nutrifam Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios, localizada em Votorantim (SP).

Apesar da maior parte dos alimentos serem isentos de registro, os produtos destinados ao público infantil precisam ser aprovados pela Agência.

Os estabelecimentos comerciais devem retirar o produto do alcance do consumidor e a fiscalização local deve ser feita pela vigilância sanitária do município.

Confira na tabela abaixo o nome dos produtos proibidos:

Medida
Produto
Fabricante
Motivo
 





Proibição da 
fabricação, distribuição e comercialização.



Sopa de fubá marca Nutrifam Baby






Nutrifam Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios.





Ausência de  registro.
Sopa de legumes com arroz marca Nutrifam Baby 
Sopa tradicional com carne marca Nutrifam Baby 
Sopa de abóbora com espinafre marca Nutrifam Baby 
Sopa de mandioquinha com beterraba marca Nutrifam Baby 
Caldo verde marca Nutrifam Baby 
Sopa de beterraba marca Nutrifam Baby 
Sopa de mandioquinha e hortaliças marca Nutrifam Baby 
Sopa tradicional de frango marca Nutrifam Baby 
Sopa de macarrão com beterraba marca Nutrifam Baby 
Canja marca Nutrifam Baby 
Sopa completa de batata marca Nutrifam Baby 
Sopa de grão de bico marca Nutrifam Baby 
Sopa de soja marca Nutrifam Baby 
Sopa de feijão branco marca Nutrifam Baby 
Sopa de lentilha marca Nutrifam Baby 
Sopa de ervilha marca Nutrifam Baby 
Sobremesa de salada de frutas marca Nutrifam Baby 
Sobremesa de maçã com ameixa marca Nutrifam Baby 
Sobremesa de manga marca Nutrifam 
Risoto de frango marca Nutrifam Crescer 
Strogonoff de carne marca Nutrifam Crescer 
Jardineira de legumes marca Nutrifam Crescer 
Espaguetti à bolonhesa marca Nutrifam Crescer 
Espaguetti com frango marca Nutrifam Crescer 

Fonte: Imprensa/Anvisa

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Conhecimento e consumo alimentar de escolares

 

Durante a fase escolar, o consumo alimentar pode sofrer algumas alterações, devendo ser priorizada a ingestão alimentar adequada, para contribuir com a formação de bons hábitos alimentares e assim prevenção de doenças crônicas na vida adulta. Estudo recente foi realizado com o objetivo de avaliar a mudança em cinco anos do consumo alimentar e nível de atividade física em escolares. De acordo com os resultados, a maior proporção de escolares da rede privada atendeu às recomendações de restrição de consumo de refrigerantes, pizzas e batata frita, e de maior consumo de frutas, verduras e legumes. Porém, houve redução na proporção de escolares que se deslocou ativamente para a escola. Outro estudo foi desenvolvido com o objetivo de analisar o conhecimento e consumo alimentar entre escolares, seus pais e professores, para servir como base para o desenvolvimento de programas de intervenção nutricional em escolas. De acordo com os resultados, foi encontrado excelente conhecimento entre as crianças do que era uma dieta saudável, com ingestão alimentar adequada. Para os pais, no entanto, apesar de ter o conhecimento adequado, seu consumo alimentar não era adequado, bem como entre os professores. De acordo com o estudo, estes resultados mostram a importância de haver programas de educação alimentar e nutricional para considerar o estado atual do conhecimento e os hábitos das crianças, seus pais e professores, para melhorar e manter as informações fornecidas pelas ferramentas da educação nutricional. Os dados dos estudos evidenciam melhorias em relação ao consumo alimentar quando há intervenção nutricional, devendo esta ser uma prática frequente para que os benefícios das informações se mantenham e assim a ingestão alimentar seja adequada durante toda a fase escolar. 



Fontes: Costa, Filipe Ferreira da; Assis, Maria Alice Altenburg de; Leal, Danielle Biazzi; et al. Mudanças no consumo alimentar e atividade física de escolares de Florianópolis, SC, 2002 – 2007. Rev Saude Publica; 46(supl.1): 117-125, Dez. 2012. Vio del R, Fernando; Salinas C, Judith; Lera M, Lydia; et al. Conocimientos y consumo alimentario en escolares, sus padres y profesores: un análisis comparative. Rev Chil Nutr; 39(3): 34-39, set. 2012. Nutrição e Pediatria - 20/set/2013

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Consumo de maçã




Por ser nutritiva e saborosa, a maçã é consumida em larga escala em todo o mundo, sendo opção de lanche ou mesmo sobremesa, além de ser utilizada no preparo de diversos pratos. Pesquisa recente aborda o consumo de frutas e vegetais na redução de doenças não transmissíveis. De acordo com os dados, a maçã, no caso uma espécie cultivada no Chile, apresenta atividade antioxidante devido ao seu teor de flavonóides, sendo seu consumo relacionado à prevenção de doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer. Porém o consumo de maçã, assim como de diversos alimentos deve ser feito a partir de fonte segura, higienizada de forma adequada antes de ser consumida. Pesquisa nesta área abordou as conexões entre uma polêmica apreensão de maçãs contaminadas no sul do Brasil há alguns anos, abordando o perigo da toxicidade nas plantações brasileiras. Deste modo, a maçã é considerada uma fruta nutritiva e que pode colaborar de forma positiva na prevenção de doenças, sendo seu consumo associado a demais hábitos alimentares e estilo de vida saudável, sendo uma boa opção para a longevidade. Porém deve ser adquirida de fontes conhecidas e que estejam de acordo com as legislações vigentes e devidamente higienizada antes de seu consumo, para garantir seus benefícios à saúde. 


Fontes: Palomo G., Iván; Yuri S., José Antonio; Moore-Carrasco, Rodrigo; et al. El consumo de manzanas contribuye a prevenir el desarrollo de enfermedades cardiovasculares y cáncer: antecedentes epidemiológicos y mecanismos de acción. Rev Chil Nutr; 37(3): 377-385, sep. 2010. Klanovicz, Jó. Toxicidade e produção de maçãs no sul do Brasil / Toxicity and apple production in southern Brasil. Hist Cienc Saude Manguinhos; 17(1): 67-85, jan.-mar. 2010. Alimentos Funcionais - 23/set/2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Fruta inteira ou suco de fruta! O que é melhor?


Embora pareça prático consumir o suco em vez da fruta como fonte de vitaminas e minerais, essa troca pode não ser adequada quando diz respeito a todos os aspectos nutricionais. Recentemente foi publicado um estudo na Revista "British Medical Journal", realizado com uma amostra de 187.382 americanos para investigar se o consumo de frutas e do suco de frutas se associavam ao risco de desenvolver Diabetes tipo 2. Foi verificado que maior consumo da fruta in natura, sobretudo as “berries” (frutas vermelhas), uvas, maçãs e bananas, associou-se significativamente com um risco reduzido de diabetes tipo 2. Em contra partida, o maior consumo de suco de frutas foi associado com um risco aumentado de ter a doença.
Os autores do artigo relatam diversas limitações no estudo e recomendam não extrapolar os resultados para outras populações, entretanto é importante enfatizar que as frutas in natura possuem aspectos nutricionais adicionais em relação ao suco, como por exemplo a presença de fibras, as quais auxiliam no controle da glicemia e na saciedade. Ao contrário do suco, que devido ao seu processamento pode inclusive perder alguns nutrientes e concentrar maior quantidade de carboidratos (frutose) devido ao uso de mais de uma fruta.
As frutas citadas no artigo possuem nutrientes com propriedades funcionais  que auxiliam na diminuição do estresse oxidativo, comumente presente em doenças como Diabetes e Câncer. A maçã, a banana e a uva são encontradas facilmente no Brasil, como também as “berries” que podem ser representadas pelo nosso Açaí.  Contudo, dentro de uma perspectiva de alimentação saudável recomenda-se variar o consumo de frutas, seguindo a orientação da safra de maneira a atender todas as necessidades de vitaminas e minerais, as quais variam as suas necessidades de acordo com idade e sexo. Embora a quantidade de frutas deva seguir o plano alimentar individualizado, a recomendação do Ministério da Saúde para a população brasileira é o consumo de pelo menos 03 porções de frutas por dia.
Fonte: Marlene Merino Alvarez – Nutricionista da UFF e Departamento Nutrição SBD - Doutora em Nutrição

domingo, 22 de setembro de 2013

Rock in Rio oferece alimentos caros e duvidosos



Com tantas restrições sobre alimentos e bebidas permitidas para levar para a Cidade do Rock, restam poucas opções para o público e, para agravar a situação, os preços praticados pelos estabelecimentos dentro do festival são em média três vezes mais caros do que fora do evento. 
As regras do festival são claras, cada pessoa pode levar até cinco itens de alimentação de preferência industrializados, as frutas devem ser cortadas e embaladas em sacos plásticos, os sanduíches devem ser acondicionados em embalagens plásticas e são permitidas apenas garrafas plásticas e sem tampa. E ainda, para entrar no festival portando mochila é preciso enfrentar uma fila extensa para inspeção prevista à situação.
Sobre alguns casos de alimentos com preços abusivos e de qualidade duvidosa, por exemplo, a rede Bob´s cobrou R$ 15 pelo lanche Big Rock e R$ 10 pelo milk-shake. Segundo relatos, nos primeiros dias de evento foi complicado comprar no Bob´s por conta da fila e também por que era difícil trocar cartelas de comida e bebida em locais diferentes.Logo no segundo dia do evento a Vigilância Sanitária inutilizou 60 litros do milk-shake de baunilha e a rede foi autuada também por falta de higiene.
Outro absurdo foi o preço cobrado na rede Espetinhos Mimi Express pelo Combo Rock: uma opção de espeto de carne, frango ou linguiça e uma porção de batatas fritas, por R$ 12.  Já a Domino’s Pizza vendeu a unidade da pizza brotinho de mussarela ou pepperoni por R$ 18. A sorveteria Itália vendeu picolés por R$ 4 e R$ 5. Logo no segundo dia do evento a Anvisa também aplicou autos de infração, por falta de higiene, nestes estabelecimentos.
Entre as bebidas comercializadas no evento, pelo chope da Heineken era cobrado R$ 9, refrigerantes R$ 6 e a garrafinha de água R$ 4.  Muitos relatos confirmam que as bebidas nem sempre estavam geladas e que os vendedores ambulantes adulteraram os preços registrados nos coletes por valores mais caros no decorrer do evento.
No Brasil a ordem econômica aprova o princípio da livre concorrência, razão pela qual os fornecedores são livres para fixarem os preços de seus produtos e serviços, porém os preços não podem ser elevados sem justa causa. Por isso, antes de comprar alimentos e bebidas no festival, certifique-se de que o valor cobrado está correto, caso contrário não compre e avise o estabelecimento responsável sobre o ocorrido. E caso encontre alimentos de aparente má qualidade denuncie o caso à Vigilância Sanitária.


Fonte: Proteste

sábado, 21 de setembro de 2013

Justiça condena Jandaia por vender suco de uva com teor de fruta abaixo do determinado

A Sucos do Brasil, dona da marca Jandaia, terá que pagar indenização de R$ 80 mil, como resultado de uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), pela venda de “suco de uva adoçado”, fora das especificações estabelecidas pelo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A decisão, da 4.ª Vara da Justiça Federal no Ceará, do ano passado, foi mantida, por unanimidade, pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Recife (PE). Para ser comercializado como suco de uva, o produto deveria conter, no mínimo, 90% de carbono de origem C3 — índice relacionado à quantidade de suco natural adicionado na fabricação de bebidas à base de frutas. Entretanto, análise feita pela Secretaria de Defesa Agropecuária identificou um percentual de apenas 14,7%. Com o recurso apresentado, a empresa tentou reduzir o valor da indenização, alegando que a irregularidade limitou-se a um único lote do produto, além de não ter havido reclamações de consumidores. Disse ainda que a bebida não causou danos à saúde de quem a consumiu. Segundo o MPF, no entanto, a indenização por dano dano moral coletivo se justifica porque um número indeterminado de pessoas, sem saber, pagou por um produto que não correspondia às especificações da embalagem. Além disso, para o MPF, houve enriquecimento indevido pela dona da marca Jandaia, que fabricou a bebida com matéria-prima em quantidade inferior à informada no rótulo. Procurada pelo GLOBO, a Sucos Brasil informou que, embora ainda não tenha tido acesso ao inteiro teor da decisão ou recebido intimação acerca do julgamento, já tomou conhecimento de que a apelação foi negada e que avaliará a possibilidade de recurso à instância superior. Segundo a PRR5, na ação, iniciada em 2011, ainda cabem recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). A empresa esclarece que o problema tratou-se de um caso isolado, decorrente de uma falha acidental, não intencional, ao longo do processo produtivo. E reitera que, apesar da irregularidade, o produto estava próprio para o consumo e não acarretava nenhum risco à saúde do consumidor. A Sucos do Brasil informa também que antes da ação judicial já tinha identificado e feito as correções necessárias.


Fonte: Idec

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Doença Celíaca e consumo de alimentos



A Doença Celíaca é a intolerância permanente ao glúten. Geralmente se manifesta na infância, entre o primeiro e terceiro ano de vida, podendo entretanto, surgir em qualquer idade, inclusive na adulta. O tratamento da doença consiste em uma dieta totalmente isenta de glúten. De acordo com estudo recente, as restrições alimentares dos celíacos acaba por limitar sua ingestão de forma geral, podendo não atingir as quantidades necessárias de alguns nutrientes, como fibras. Deste modo o objetivo do estudo foi desenvolver um pão feito de farinha de arroz rico em fibras (sem glúten) e avaliar seu grau de satisfação. De acordo com os resultados, foi possível desenvolver um pão sem glúten rico em fibra dietética e com características organolépticas aceitáveis, destinados a aumentar a quantidade de fibras em indivíduos com doença celíaca. Outra pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de investigar a disponibilidade e custo dos alimentos sem glúten através de uma grande variedade de lojas, uma vez que os produtos alimentares para os celíacos apresentam preço elevado de forma geral. De acordo com os resultados, observou-se pouca disponibilidade de alimentos sem glúten e eles são geralmente mais caros do que suas contrapartes convencionais. Este fato pode ter um impacto sobre o cumprimento de uma dieta isenta de glúten, com potenciais consequências nutricionais e clínica, juntamente com aumento do risco de complicações. Os dados dos estudos evidenciam a importância do desenvolvimento de produtos para fins especiais, assim como os celíacos, uma vez que o tratamento está baseado em restrições alimentares, as quais devem ser controladas através do consumo de alimentos permitidos, devendo estes serem nutritivos e de fácil acesso a estes consumidores. 



Fontes: Singh J; Whelan K. Limited availability and higher cost of gluten-free foods. J Hum Nutr Diet; 24(5): 479-86, 2011 Oct. Zapata, M. E; Carrara, E; Funes, Jimena. Evaluación del grado de satisfacción y determinación del contenido de fibra de un pan elaborado en base a harina de arroz integral. Diaeta (B. Aires); 31(142): 5-19, ene.-mar. 2013. Nutrição Clínica - 16/set/2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Fibrose Cística: a doença do beijo salgado




Diagnóstico precoce é a melhor forma de conter os graves problemas decorrentes dessa patologia e garantir qualidade de vida para os pacientes

Quem nunca ouviu falar no Teste do pezinho, aquele realizado nos bebês recém-nascidos? Mas poucas pessoas sabem que ele é utilizado para detectar precocemente várias doenças, algumas de origem genética, como a fibrose cística (FC) que, de acordo com o Ministério da Saúde, atinge 1,5 mil pessoas no Brasil.
Comumente conhecida como a doença do beijo salgado, a FC – também chamada clinicamente de fibrose quística ou de mucoviscidose – é hereditária.  Essa alteração gênica prejudica o transporte dos íons de cloro e sódio pelas membranas celulares de todo o organismo, dificultando o funcionamento das glândulas exócrinas (glândulas sudoríparas, de muco, saliva e sucos digestivos).
De forma sistêmica e progressiva, a FC leva à produção de um muco espesso, principalmente nos pulmões e no pâncreas, trazendo problemas como deficiência nos sistemas respiratório e gastrointestinal (aparelho digestivo) e no reprodutor. “A doença tem diferentes níveis de gravidade, que variam de acordo com as mutações genéticas. Essas mutações podem chegar a mais de 1.800 tipos diferentes”, explica a pediatra do laboratório Exame Natasha Slhessarenko.
Embora atinja pessoas de todas as raças, sua incidência é mais comum entre caucasianos.  

Sintomas
Os sintomas da FC variam de acordo com a pessoa e com seu grau de evolução. O suor excessivo está entre os mais perceptíveis. Essa secreção tem uma quantidade extremamente alta de cloro, potássio e sódio, responsável pelo sabor salgado deixado na boca de quem beija uma pessoa portadora do problema – eis o porquê do apelido “Doença do beijo salgado”.
Esse suor excessivo, presente em 99% dos portadores dessa patologia, leva à desidratação, provocando fraqueza, fadiga, febre baixa, câimbras musculares, dor abdominal, vômitos e prostração. Olhos fundos, boca seca e baixa quantidade de urina também estão ente os sintomas mais comuns. Devido às alterações sofridas pelos sistemas respiratório e gastrointestinal, a criança também pode apresentar dificuldade de crescimento, perda de peso, má absorção de nutrientes, cirrose biliar, infecções respiratórias de repetição, diarreia crônica, eliminação de fezes volumosas com odor forte e gordurosas.
 “A maioria dos sintomas pode se manifestar já ao nascimento ou apenas na idade adulta. Uma das complicações do quadro respiratório é o desenvolvimento de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e bronquiectasias, por causa das repetidas infecções pulmonares”.

Teste do pezinho
Como muitos dos sintomas iniciais da FC assemelham-se ao de várias outras doenças infantis, seu diagnóstico não pode ser feito apenas pela observação do quadro clínico. Atualmente, o teste do pezinho ou triagem neonatal, que deve ser realizado nos primeiros dias de vida da criança, é utilizado para verificar os níveis da enzima tripsina imunoreativa que, se elevados, indica a presença de mutações gênicas, a serem posteriormente confirmadas por meio de testes moleculares.
Já para as crianças maiores e para os adultos, os exames indicados são o que aferem a dosagem do sódio e cloro no suor, a espirometria (exame pulmonar) e a cultura e exame do escarro (catarro).

Tratamento
A DPOC é a mais grave das consequências da fibrose cística e seu tratamento consiste na limpeza e desobstrução das vias aéreas, para eliminar e prevenir infecções. Nebulizadores com medicamentos, exercícios físicos, antibióticos e fisioterapia respiratória também fazem parte do tratamento, além de ações preventivas, como imunizações (vacinas).
Quando o volume de muco dos pulmões está muito alto, são utilizadas algumas técnicas para higiene pulmonar, sob a orientação de um fisioterapeuta. Já a suplementação de enzimas pancreáticas é realizada para conter as disfunções no sistema gastrointestinal e, assim, auxiliar o processo digestivo.
Outra importante vertente do tratamento da FC está nos cuidados com a nutrição, sobretudo das crianças, que devido ao aumento do esforço pulmonar e à alteração na absorção de gorduras, precisam de mais calorias e de proteínas do que uma criança normal. Geralmente, é necessário repor  as vitaminas A, D, E, K.  “O tratamento requer cuidados especiais, como uma equipe multidisciplinar composta de pediatras, enfermeiras, fisioterapeutas, nutricionistas e assistentes sociais”.
É importante ressaltar que a FC não tem cura e que, sem o tratamento adequado, a maioria dos portadores morre ainda jovem, muitos entre os 20 e 30 anos, por insuficiência respiratória. No entanto, a constante evolução da medicina – transplante de pulmão e a produção de medicamentos mais eficientes – tem contribuído significativamente para conter o avanço da doença, elevando-se a expectativa de vida das pessoas para os 50 e 60 anos.
Embora a FC prejudique diversos sistemas do corpo humano, o diagnostico precoce permite a adoção de um tratamento adequado e, consequentemente, qualidade de vida para os portadores. As pessoas portadoras desta patologia podem levar uma vida normal e de muita qualidade, sem restrição de atividades, como estudar e trabalhar.

Fonte: Imagem Corporativa

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Obesidade infantil, como tratar?



A obesidade é relatada em monografias desde o século XVII. Trata-se de uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que produz efeitos deletérios à saúde. Há um consenso na literatura de que sua etiologia é multifatorial, envolvendo aspectos biológicos, históricos, ecológicos, políticos, socioeconômicos, psicossociais e culturais. Além disso, fatores genéticos têm ação permissiva para que os fatores ambientais possam atuar, como se criassem “ambiente interno” favorável à produção do ganho excessivo de peso.
Uma criança tem 80% de chance de ser obesa quando pai e mãe são obesos, e 40% quando um dos dois é portador do distúrbio. Já quando nenhum dos genitores apresenta o distúrbio, a chance cai para 7%.
A obesidade é um problema crescente, sem discriminação de faixa etária, sendo encarada como epidemia e uma das mais importantes desordens nutricionais tanto em países desenvolvidos quanto nas nações em desenvolvimento. Nos últimos anos,  inclusive, tem-se observado o aumento de sua prevalência em crianças e adolescentes em diversos países.
O mundo atual tem oferecido uma série de opções que podem ser consideradas facilitadores desse resultado: alimentos industrializados, ricos em gordura e com alto valor calórico, fast-food, televisão, videogames, computadores, entre outros, somados ao sedentarismo, podem constituir um ambiente bastante favorável ao aumento da prevalência da obesidade.
Estudos científicos mostraram que 50% das crianças obesas aos seis meses de idade e 80% das crianças obesas aos cinco anos de idade tendem a tornar-se adultos obesos. Evidências científicas têm revelado que a aterosclerose e a hipertensão arterial são processos patológicos iniciados na infância,  quando são formados os hábitos alimentares e de atividade física.
A obesidade infantil não traz somente danos metabólicos, o excesso de peso na infância e adolescência pode determinar dificuldades de socialização, maior dificuldade em encontrar emprego e constituir família. 
Surge aí a grande questão: o que podemos fazer para evitar e tratar a obesidade nas nossas crianças? 
O consumo do leite materno mostrou-se um alimento protetor contra a obesidade, fenômeno esse conhecido como "imprinting" metabólico, a experiência nutricional precoce atuando em período específico do desenvolvimento, podendo gerar um efeito duradouro.
Em 2001, uma pesquisa americana avaliou 2.565 crianças com idades entre 3 e 5 anos. As que haviam recebido aleitamento materno tiveram menor prevalência de risco de sobrepeso em relação àquelas que nunca haviam sido amamentadas.
O consumo de alimentos que exijam adição de açúcar deve ser evitado nos primeiros anos de vida, fase na qual a criança está formando seus hábitos alimentares, podendo levar a um maior consumo dessas fontes. Cautela e bom senso são necessários para a introdução de alimentos como leite achocolatado, mingau, bolacha doce e recheada, que possuem sabor agradável e, por isso, têm maior consumo, elevando o valor calórico total da dieta e o risco de sobrepeso e obesidade.
A atividade física é ponto importante no tratamento e na prevenção da obesidade infantil. Todavia, estudos indicam que a maioria dos brasileiros não tem o hábito de praticar nenhuma atividade física desportiva regular. Mais especificamente em São Paulo, outro estudo revelou que 68% da população adulta é sedentária.
O papel familiar é de extrema importância na formação e desenvolvimento físico e psicológico dessas crianças. A prática de atividade física deve ser estimulada e dividida com elas, fazendo parte da rotina da família. Nesse sentido, em consultório, pais e filhos são orientados e envolvidos no processo. Os responsáveis devem evitar a compra de salgadinhos, achocolatados prontos, bolachas recheadas, bolos industrializados, fast food, balas e doces.  No mercado sugerimos troca por opções mais saudáveis e nutritivas: refrigerante por suco, doces por frutas, cereal açucarado por integral ou sem açúcar.
O preparo dos alimentos também é levado em conta. Alimentos congelados e já prontos (almôndegas, lasanha, empanados em geral) devem ser substituídos pelos preparados de modo caseiro, com alimentos in natura. Assim os níveis de sódio, conservantes e gorduras são reduzidos. A refeição deve ser feita sempre que possível com todos os membros da família à mesa e com a televisão desligada. Videogames e TV precisam ter seus horários controlados.
A abordagem nutricional é feita de forma lúdica e ilustrativa. Utilizamos guias alimentares que são expressos na forma de arco-íris, pirâmides, roda, entre outros, contendo figuras dos grupos de alimentos em diferentes níveis, estabelecendo a quantidade de consumo.
Por exemplo, na Pirâmide Nutricional Infantil, a divisão é feita por níveis:
Nível 1: fontes de carboidratos (pães, massas, arroz, tubérculos, cereais, raízes) – base da dieta, têm liberadas 5 porções diárias, sendo que uma delas deve ser de grão integral.
Nível 2: Grupo das verduras e legumes e Grupo das frutas – fontes de vitaminas e sais minerais, com consumo de até 3 porções diárias
Nível 3: Grupo dos lácteos, leite e seus derivados, fontes de proteínas, cálcio e vitaminas, com consumo de 3 porções; Grupo das carnes (carne bovina e suína, aves, peixes e frutos do mar, vísceras) e ovos, fontes de proteínas, ferro e vitaminas permitidas 2 porções; Grupo das leguminosas (feijões em geral: feijão, soja, ervilha, grão de bico, fava e amendoim) – são fontes de proteína vegetal, com consumo de 1 porção.
Nível 4: Grupo dos óleos e gorduras e Grupo dos açúcares e doces - os alimentos desse nível devem ser consumidos com moderação. Ambos estão no topo da pirâmide e presentes na preparação e composição em todos os outros níveis, por isso, só liberados em uma porção.
O tratamento da obesidade infantil é, sem dúvida, um grande desafio. Por isso, a abordagem deve ser feita sempre de forma educativa e informativa, e não punitiva, tanto com a criança quanto com os pais. Por isso, é necessária a atuação conjunta de uma equipe multiprofissional (nutricionista, pediatra, educador físico, psicólogo) sempre motivando toda a família. Juntos, é possível!


Fonte: Simone Kikuchi é nutricionista clínica e ambulatorial do Hospital Sírio Libanês, especialista em nutrição em doenças crônico degenerativas