sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Mitos e verdades sobre amamentação



1 - Faz bem para a saúde do bebê: Sim, pois é rico em água, proteínas e sais minerais, o leite materno contém todos os nutrientes que o bebê precisa consumir até o sexto mês de vida. Ele ainda ajuda a desenvolver o sistema imunológico da criança e é o recurso mais eficiente para protegê-la de alergias e infecções nos primeiros meses. Além disso, o ato de sugar trabalha toda a musculatura facial, o que facilita o desenvolvimento correto da arcada dentária. Já está comprovado que crianças que mamam regularmente até os seis meses falam, respiram e mastigam melhor que as demais, além de sofrerem menos com cólicas e de seu intestino funcionar de forma mais regular. Pesquisas também mostram que amamentar faz muito bem para a saúde da mãe e diminui as chances de ela ter câncer de mama ou de ovário.

2 - Meu leite é fraco: Não, cada mãe produz o leite adequado para as necessidades de seu bebê, então, se a criança mama regularmente e está ganhando peso, a mãe pode ficar tranquila. O que acontece é uma confusão, já que o leite materno é menos encorpado e mais claro que o leite de vaca, mas isso não impede que seja rico em nutrientes.

3 - Estresse e nervosismo atrapalham a produção de leite: Sim,pois as mães que estão passando por situa­ções de estresse ou muita tensão produzem uma quantidade anormal de adrenalina, que bloqueia a oxitocina, um dos hormônios que influenciam na amamentação. Por isso, elas tendem a produzir leite em quantidade insuficiente.

4 - Amamentar dói: Isso varia conforme a sensibilidade da mãe, mas grande parte não sente nada. Nos primeiros dias, é comum a mama ficar inchada, o que deixa a região dolorida. Fora esse período, normalmente a mulher não sente dor. Caso haja incômodo nos seios, é bom procurar orientação profissional porque provavelmente o bebê não está mamando de maneira correta, o que deve ser corrigido para acabar com a dor. Procure um profissional habilitado (nutricionista ou enfermagem).

5 - É um ótimo anticoncepcional: A amamentação aumenta a produção de prolactina, hormônio que inibe a ovulação. Mas vale uma ressalva: o efeito anticoncepcional só vale nos casos em que o bebê mama regularmente – sempre a cada duas ou três horas, todos os dias, inclusive de madrugada. Quando a criança começa a espaçar os horários, a mãe precisa voltar a tomar anticoncepcionais. Hoje, há produtos compatíveis com a amamentação, que podem ser receitados pelo ginecologista.

6 - Silicone atrapalha a amamentação: Nem implante de sili­co­­ne nem mamoplastia compro­metem a produção de leite ou costumam interferir na ama­mentação. Mesmo assim é bom avisar ao cirurgião plástico, antes da cirurgia, que você ainda pretende ter filhos. Assim, ele pode escolher a técnica de colocação dos implantes que afete menos a amamentação. Também é bom alertar o pedia­tra  ou nutricionista sobre a cirurgia, o que o aju­da a ter cuidado redobrado no acompanhamento do peso do bebê.

7 - Pegar sol nos seios ajuda: O contato com os raios solares aumenta a produção de vitamina D no corpo, o que fortalece a pele do seio e ajuda a evitar e a cicatrizar rachaduras nos mamilos. O ideal é começar a tomar sol ainda durante a gestação e manter o hábito durante o período de amamentação, por dez minutos, duas vezes ao dia, antes das 10 horas ou depois das 16 h.

8 - Exige uma série de adaptações no cardápio da mãe: A recomendação é que a mãe siga um cardápio variado, rico em verduras, legumes, frutas, cereais integrais e carnes magras e pobre em produtos industrializados, gorduras, açúcares, sódio e condimentos. A única ressalva vai para a cafeína, chocolate e chimarrão. O ideal é não abusar, já que eles geram cólicas e agitação no bebê.

9 - O tipo de parto interfere na amamentação: Tanto mulheres que fizeram cesariana quanto as que tiveram parto normal po­dem amamentar, e a anes­­tesia não influencia no proces­so de produção de leite. O que pode influenciar é que, no caso de mães que estão sentindo muita dor – devido a problemas de cicatrização, por exemplo –, há uma demora maior na descida do leite para os seios. Mas, na maioria dos casos, entre o terceiro e quarto dia após o parto, a mulher já tem leite suficiente para amamentar o bebê normalmente.

10 - Acelera a perda de peso da mãe: Mantendo uma dieta balanceada, a mãe que amamenta de maneira exclusiva nos primeiros meses volta mais rapidamente ao seu peso normal, já que o corpo gasta cerca de 700 calorias todos os dias somente para produzir leite para o bebê. Mas vale uma ressalva: não adianta comer demais ou errado. A amamentação ajuda, mas não faz milagres, e é preciso seguir uma dieta balanceada. A mãe ainda tem menos risco de hemorragia pós-parto e sofre menos com cólicas, já que, durante a amamentação, o útero se contrai e vai voltando ao normal.

11 - A criança deve mamar a cada duas ou três horas: Não há uma regra e a periodicidade varia conforme o bebê. A única recomendação é que a mãe ofereça o leite em “livre demanda”, ou seja, toda vez em que o bebê sentir fome. Algumas crianças, com o passar das semanas, vão criando seu próprio horário e é comum quererem mamar a cada duas ou três horas, mas é importante que a mãe não restrinja a amamentação caso o bebê prefira mamar em um intervalo maior ou menor de tempo. Os  bebês que dormem demais devem ser acordados a cada 3 horas para mamar, se estiver ganhando peso adequadamente. Isso evita casos de desidratação, icterícia e hipoglicemia.

12 - É preciso revezar os dois seios para amamentar:  O ideal é que a mãe não interrompa e deixe o bebê mamar à vontade no primeiro seio. Isso é importante porque somente depois de alguns minutos o bebê consegue atingir o leite posterior, uma porção rica em açúcar e gordura que ajuda a criança a se saciar mais rápido e a ganhar peso. Se ele não chega a essa parte, acaba sentindo fome mais rapidamente e tende a acordar várias vezes ao longo do dia para mamar de novo. Caso ele se sacie com somente um seio, ela pode fazer a retirada do leite da outra mama, para não sentir dor, e fazer a doação desse material ou iniciar a próxima mamada neste seio.

13 - Amamentar aumenta os seios, mas os deixa caídos e flácidos: Isso varia conforme o corpo da mulher, mas existe uma tendência de os seios ficarem flácidos não pela amamentação, mas pelo próprio processo de mudança do corpo que acontece durante a gravidez, pois a mulher ganha peso durante a gestação e, quando volta ao peso normal, é comum a pele apresentar flacidez. Também não é regra que os seios vão ficar maiores do que antes da gestação. Há casos de mulheres que chegam a ganhar dois ou três números na medida do sutiã depois de amamentar, mas também é comum o inverso e os seios ficarem menores do que antes.

14 - Produzo leite demais (ou de menos): Na maioria dos casos, a quantidade de leite produzida pela mãe é a ideal para satisfazer o bebê. Porém, algumas mulheres produzem um pouco a mais, e esse excedente deve ser sempre retirado da mama para evitar dor e desconforto. Uma opção é doá-lo para bancos de leite. Cerca de 2% das mulheres produzem menos leite que o ideal, ou por situações de estresse, por problemas de saúde ou devido a uma combinação de alimentação errada e de falta de repouso.

15 - Amamentar é fácil: Amamentar é cansativo e exige muita paciência, principalmente no início, até que a mãe se recupere do parto e ela e a criança se adaptem ao processo, mas vale a pena. Uma dica para tornar esse momento mais fácil é participar de um curso para gestantes, ainda durante a gravidez, para tirar dúvidas e aprender detalhes que ajudam na rotina com o bebê.

16 - Fortalece o vínculo de mãe e bebê: Quem já amamentou sabe: esse momento rende uma troca de carinho grande entre mãe e bebê e fortalece os laços entre os dois. Segundo as espe­cialistas, mesmo mulheres que passaram por gestações difíceis – inclusive as que estavam frus­tradas com uma gravidez não-planejada –, tendem a se apegar ao bebê quando começam a amamentar.

17 - Canjica e cerveja preta aumentam a produção de leite: Não existe relação entre a ingestão de alimentos e o aumento ou diminuição da produção de leite. O que aumenta a quantidade de leite é a sucção regular da criança e a ingestão de água(nunca inferior a 3 litros por dia) durante  este período. Como o estado psicológico da mãe também influencia, vale a pena ficar calma e aproveitar a hora de amamentar para ouvir uma música, ler e ficar em um ambiente arejado e tranquilo. No período de amamentação não deve-se ingerir nenhuma quantidade de bebidas que contenham álcool, pois passa para o leite materno, prejudicando o desenvolvimento dos bebês.

18 - Quem volta ao trabalho após a licença-maternidade precisa parar de amamentar:  Isso é relativo. A lei garante que a mãe pode sair uma hora antes do trabalho ou realizar um intervalo especial para amamentar até o sexto mês. Outra opção é retirar o leite anteriormente, armazená-lo em recipientes higienizados e refrigerá-lo. Ele pode ficar guardado por 12 horas na geladeira e até 15 dias congelado no freezer. Para descongelar, basta descongelar usar banho-maria.

19 - Amamentação deve ser exclusiva até os seis meses: O ideal é que a criança seja amamentada de maneira exclusiva até os seis e passe a mamar de maneira esporádica até os dois anos. Nesse período, a mãe deve intercalar a oferta de alimentos pastosos, sólidos e outros líquidos – é bom pedir orientação ao um nutricionista sobre as melhores opções –, e deixar o leite materno para períodos específicos, como só pela manhã ou antes de dormir.

20 - Existe uma posição ideal para amamentar. A posição ideal é aquela em que a mãe e o bebê se sentem confortáveis, mas algumas dicas ajudam nesse momento. O melhor é que a mãe amamente sentada, segure sempre o bebê com a cabeça em seu cotovelo, leve a criança até a altura da mama e a mantenha bem próxima do seio, com a boca de frente para o mamilo. Note se a criança está com a boca bem aberta, com os lábios virados para fora e abocanhando a auréola, e não só o bico do seio, o que ajuda a tirar a quantidade de leite adequada.



Fonte: Nutrição em Obstetrícia e Pediatria.

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