domingo, 24 de março de 2013

Lançamento do Ano Internacional da Quinoa


A ONU destaca o papel do "super alimento" andino

A quinoa pode desempenhar um papel importante na erradicação da fome, da desnutrição e da pobreza, disse  o Diretor Geral da FAO, José Graziano, no lançamento oficial do Ano Internacional da Quinoa na sede das Nações Unidas.
O Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, o Presidente da Bolívia, Evo Morales e a Primeira Dama do Peru, Nadine Heredia Alarcón de Humala, estavam entre os participantes de alto nível de uma jornada com diversos eventos centrados na celebração do “super alimento” andino, um cultivo similar ao cereal, de alto valor nutritivo e rico em proteínas e micro nutrientes.
“Hoje estamos aqui para recrutar um novo aliado na luta contra a fome e a insegurança alimentar: a quinoa”, afirmou Graziano da Silva, citando as características nutricionais únicas do alimento e sua grande adaptabilidade.
A quinoa é o único alimento de origem vegetal que tem todos os aminoácidos essenciais, oligoelementos e vitaminas e ao mesmo tempo tem a capacidade de se adaptar a diferentes ambientes ecológicos e climáticos. Resistente à seca, aos solos pobres e de salinidade elevada, pode ser cultivada desde o nível do mar até a uma altitude de quatro mil metros e pode suportar temperaturas entre – 8 º C e  38º C.
Enquanto o mundo enfrenta o desafio de aumentar a produção de alimentos de qualidade para satisfazer uma população crescente com num clima de mudança, a quinoa proporciona uma fonte alternativa de subsistência para os países que sofrem de insegurança alimentar.
O Diretor-Geral afirmou também que na Quênia e no Mali esta cultura está já a revelar altos rendimentos e os estudos iniciais da FAO indicam que a produção de quinoa pode também ser desenvolvida no Himalaia, nas planícies do norte da Índia, no Sahek, no Iêmen e em outras regiões áridas do mundo.

Um presente dos Andes
“Este grão extraordinário  tem sido um símbolo cultural e um alimento básico na dieta de milhões de pessoas ao longo dos Andes durante milhares de anos” disse o Secretario Geral da ONU, Ban Ki-moon. “A Quinoa já está pronta para receber o reconhecimento global”.
O Secretário-Geral também destacou o papel potencial da quinoa no âmbito do Desafio Fome Zero, não só por  seu valor nutricional, mas também porque a maior parte da quinoa é atualmente produzida por pequenos agricultores.
“A cultura deste cereal cumpre a promessa de rendimentos melhores- um elemento essencial do Desafio Fome Zero”, afirmou o Secretario Geral.
Observou ainda que muitos países da America Latina estão fazendo progressos significativos para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de reduzir a fome pela metade, não só através do aumento da produção mas também através da redução da pobreza e do aumento do acesso a alimentos nutritivos como a quinoa.
A quinoa teve uma grande importância para as civilizações pré-colombianas andinas, apenas superada só pela batata. Tradicionalmente, os grãos de quinoa são tostados e se transformam em farinha para fazer pão. Também pode ser cozida, adicionada a sopas, usada como cereal, pasta e mesmo fermentada para produzir a cerveja ou chicha, bebida tradicional dos Andes.
Atualmente a quinoa encontrou lugar de destaque na cozinha gourmet e tem um papel na indústria farmacêutica e para outros usos. O cultivo da quinoa se estende atualmente muito além da região andina e – além da Bolívia, Peru, Equador, Chile, Colômbia e Argentina – é produzida também nos Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Itália, Quênia e Índia.
“A quinoa é um presente ancestral dos povos andinos” afirmou o Presidente Evo Morales, destacando o papel fundamental dos povos indígenas que foram os guardiões deste alimento por mais de 7000 anos.
O futuro semeado milhões de anos atrás
O esforço para promover a quinoa é parte de uma ampla estratégia da FAO para potencializar os cultivos tradicionais ou os esquecidos, como forma de  combater a fome e promover a alimentação saudável.
“O Ano Internacional da Quinoa vai servir não só para promover o desenvolvimento desta cultura em todo mundo mas também como reconhecimento de que desafios do mundo moderno podem ser enfrentados através do conhecimento acumulado dos nossos antepassados e dos pequenos agricultores familiares, que são atualmente os principais produtores de quinoa” explicou Graziano da Silva.
O evento de Nova Iorque inicia uma série de atividades culturais, artísticas e acadêmicas, assim como de investigação científica que vão se realizar ao longo do ano e a FAO acredita que vão contribuir para o bem-estar de milhares de pequenos agricultores e de consumidores no mundo todo.
Embaixadores Especiais
Durante a cerimônia especial, foram reconhecidas as contribuições do Presidente da Bolívia, Evo Morales e da Primeira Dama do Peru, Nadine Heredia Alarcón de Humala, ambos tendo sido nomeados Embaixadores Especiais da FAO para o Ano Internacional da Quinoa.
A Primeira Dama destacou o papel da quinoa como uma “opção viável e efetiva para combater a fome e a subnutrição” e sublinhou a importância do papel das mulheres na produção de quinoa.

Fonte: FAO

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